Adeus.
Sou
insuficiente.
Aparentemente,
este é o fim. O fim da carta, do nosso relacionamento, do nosso futuro a dois,
dos seus sonhos, dos meus ideais, da minha vida. Todavia, não é o fim da sua.
Apenas o começo. Mais uma vez eu peço perdão. Perdão por desaparecer, por
deixar de existir, por querer desistir. Mas é a minha escolha, e farei isso
sozinho, sem levá-la ao meu lado ou arrastá-la para meu caminho esburacado. Por
favor, não me odeie, ame quem eu sou nas suas lembranças.
Outra
vez, eu estou me estendendo demais na proza. Já disse, em miúdas, o que queria
dizer. Contudo, se não fui perfeitamente claro, quero tentar novamente: eu não
te amo. Nunca amei e nunca serei capaz de amar. Não por você, não por qualquer
outro motivo que queira dar ou desculpa que possa vir a inventar, mas por mim mesmo.
Se, involuntariamente, não posso nem mesmo me amar como poderei amá-la um dia?
Desculpe-me
pela despedida em uma folha de papel reciclado. Se a conheço bem – e sei que
conheço – você não irá gostar nada disso. Porém, é melhor que desgoste. Ambos
sabemos que você seria capaz de vir a minha procura, querendo fazer uma loucura
de filme hollywoodiano, e isso não seria bom para nenhum de nós dois.
Também
quero expor minha raiva por mim mesmo, pois sei que esta carta é covarde e
mesquinha, assim como eu. Não é nada justo fazer isto com você: deixá-la
esperançosa de um futuro a dois e depois apunhalá-la pelas costas, fugindo com
seus sonhos e deixando seu bem mais precioso em pedaços.
Antes
de qualquer coisa quero deixar bem claro que você foi a primeira pessoa a me
fazer sentir vivo. Ao seu lado eu senti que podia ser quem eu quisesse - menos
eu mesmo. Era real, mas não era verídico. Parecia que eu precisava ser uma
pessoa melhor para poder estar contigo. Acompanhar o seu ritmo.
Sei
que esta não é a melhor maneira de me explicar, porém, é a única forma que
consigo me expressar – escrevendo.
Não
obtive muito êxito com relação a isso, é verdade, mas ainda assim não sou
corajoso o suficiente para olhar em seus olhos e dizer o que é preciso. Tenho
medo. A imensidão que mergulho ao fitá-la é misteriosa e profunda demais para
uma pessoa como eu - fria e desacreditada.
Peço
que não pense em mim como um homem sem coração, desalmado ou intocável, mas como
um ser sem rumo, perdido e confuso.
Honestamente,
não sei por onde começar. Passei as últimas horas obrigando meu corpo a não se
deslocar, revirando-me na cama para não precisar levantar e encará-la.
Olá,
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Texto escrito por Gustavo Carvalho com colaboração de Thiago Banik.
