É esperar, respirar e me entreter com algum tipo de mantra
ou filosofia. É chamar minha angustia de fé, o meu medo de esperança e o
desespero em um sorriso forçado para dizer que estou bem. Mal me lembro o dia
que realmente olhei nos olhos de alguém que me cumprimentou. Possuo medo de
descobrirem.
Meu coração não sabe te enxergar
Primeiro você me deu um beijo no rosto, depois disse
algumas palavras e então se virou deixando seus cabelos por último para se
despedirem de mim. E a cada passo você se distanciava mais de mim, se confundia
com o horizonte e eu com sorriso meio bobo, espremendo lágrimas cheguei a um
veredito: meu coração tem hipermetropia.
Um guarda-chuva e dois corações
Chovia, havia um guarda-chuva pequeno, duas
pessoas procurando alguém para se proteger das gotas cheias de vida e no fundo
uma sonoplastia feita pela sinfonia urbana. Nos encontramos e entrelaçamos os
nossos braços, foi aí que eu percebi seus olhos da cor do amor. Juntos? Sim.
Somos uma fortaleza? Sim. Enfrentaremos barreiras, poças d’água, crises e
carros querendo encharcar as melhores roupas deste nosso primeiro encontro.
Andaremos sem pressa, falaremos da vida, da infância e do bolo de fubá que a
sua vó faz. Não será nada mal caminhar com pausas, respiros e seus risos quase
infantis.
Menos poesia, mais sexo
É de sexo que preciso, é fazer amor com
sacanagem, transar ou, sei lá, qualquer outra forma que você goste de ouvir.
Não importa o pronunciar, o importante é ter. Ser livre para “me ter”. Isso é
liberdade. É plenitude. É minha alma conversando com meu corpo. É putaria
poética.



