É esperar, respirar e me entreter com algum tipo de mantra
ou filosofia. É chamar minha angustia de fé, o meu medo de esperança e o
desespero em um sorriso forçado para dizer que estou bem. Mal me lembro o dia
que realmente olhei nos olhos de alguém que me cumprimentou. Possuo medo de
descobrirem.
Apenas para esperar o momento ou fazê-lo? Já nem sei, as
escolhas me trouxeram aqui, correto? E qual o próximo passo a tomar? Estou
querendo desmoronar. Como e para quem?
- Não se reclama, não é possível. A vida já te deu tudo,
não injustiça a vida.
Quero me dar, mudar, transmutar, realmente sentir vida e
aquele ar que se mistura com chuva poética e terra nunca pisada por um
sonhador. Terra que nunca será descoberta por mim. Eu me rendo, fui vencido, a
vida me venceu. Tentei ser o diferente, o que mudaria, mas todos são assim (ou
era) e ninguém conseguiu, por que eu seria o escolhido? Não sou especial, não
possuo um talento que se sobrepõe, sou apenas um garoto normal que ama se
sentir um inglês, que mal sabe colocar pensamentos em palavras ou palavras na
minha própria alma. Sou da sociedade, sou apagável, sou esquecido (até por
mim?).
Sou o ser que nada concretiza, que queria viver no mundo em
que sonhos são maiores que os passos. A minha incompletude é (procura-se) uma
forma de preencher a porra do vazio que todos sentem. Vazio que se preencheu
com o silêncio. De um homem que nada mais fala. Ineficiência vocal. O destino,
você e a sociedade me silenciaram em muitos momentos que já não sei mais o que
dizer. Meu profissional é rotina, é roda de giro do dinheiro. Topo. Mesmo
quebrando coisas em que eu acredito, mesmo tendo que me silenciar e aquietar a
minha vontade de ser próprio. De ser o único egoísta filho da puta que queria
mudar pessoas. Mas não mudei.
