As
lágrimas são o único sinal de que eu estou vivo. Depois
do meu total abandono, eu começo a reviver com um coração mais calmo, uma
cabeça serena. Ainda é estranha a sensação de que passei por um turbilhão de
tristezas na última semana, noites sem dormir e que agora já sinto um prazer em
dar um sorriso e possuo uma vontade de lutar pelo que eu mereço. Foi tudo tão
rápido. Intenso. Uma transformação de sentimentos que me levaram a um
amadurecimento que eu nunca alcançaria de uma forma tão rápida, se não fosse
pela minha dor.
Às
vezes a vida acaba com a sua maior verdade para criar uma nova. Eu ainda
estaria cego, se eu não tivesse ido para o fundo do poço e levantado por mim
mesmo, na esperança de mais um dia de sol.
Eu
tive que aprender da forma mais dolorosa que a vida termina quando você menos
espera e começa quando você mais precisa.
Fico feliz por esta frase ser verdadeira na minha, porque eu comecei
novamente. Pela terceira vez. Mais uma vez. Eu estou pronto para enfrentar o
que for necessário. Eu me sinto como uma criança que ainda não se machucou e
por isso pensa que é capaz de conquistar qualquer coisa, de fazer o que o
coração manda. A diferença é que eu sou uma alma formada por acúmulos de erros
e acertos. Não possuo mais a ingenuidade.
Eu
me transformei. Não, eu amadureci. Eu posso enfrentar a realidade da forma
correta e tudo isso eu devo a somente um fator, algo indesejável, mas essencial
na minha vida. A dor. A minha solitária dor.
