Eu queria agradecer
por ter vindo me procurar, mas fazia tanto tempo que eu não olhava para você de
uma forma tão próxima que eu não soube dizer um simples obrigado. Fiquei
falando baboseiras, procurei saber da família, como você estava, e fiz aquela pergunta
infeliz: “E as novidades?”. Isso foi o melhor que este idiota pôde fazer, pois
mesmo negando eu sei que foram perguntas estúpidas.
As interrogações
superficiais davam força para o subtexto do meu nervosismo e a ansiedade em te
dizer algo; eu mal escutava as suas respostas. Queria só entender o que estava
acontecendo comigo. Quer dizer, é sempre o mesmo frio na barriga ao te ver, um
tesão ao sentir o seu perfume e resquícios de paixão mal resolvida ao te abraçar. Sempre foi assim.
Parece que por nós nunca termos nada, o meu
desejo aumenta. Constantemente ficamos naquele momento em que tudo para e
sentimos borboletas no estômago, ou melhor, o silêncio antes do primeiro beijo
que entrelaçaria os nossos destinos. Mas, antes das bocas se tocarem, desviamos
o assunto. Eu faço uma piada, você ri ou quebra o clima com alguma pergunta
boba. Parece que temos medo do que pode acontecer.
Tudo
isso pode soar algo ruim, mas não para mim. Eu amo estar nesse jogo que criamos,
esperar o ápice da nossa paixão, esperar por alguém que vale a pena. O amor
exige grandes virtudes, e uma delas é a paciência. Além disso, é uma delícia sentir
o desejo por alguém que eu ainda não tenho. Ainda...
