Ainda te procuro

    


      Eu queria achar alguém parecida com você só para quebrar o seu orgulho de se exibir como a única. A pessoa possuirá aquele quê de inocência com malícia, o jeito dela terá que ser sempre um mistério misturado com sorrisos simpáticos, uma cabeça que sinta tudo verdadeiramente e nunca está pronta para julgar – primeiro conhece para dizer algo.
     Ela conhece para dizer algo. Interessante... isto é único. Ela terá também um sotaque que não é de mim, não é de si e nem de minas. É um sotaque que já me encantou várias vezes, mesmo que tenhamos conversado pouco.
     Eu não sei descrever esta sensação como paixão, amor ou um desejo lascivo e sexual. É sempre a mesma coisa quando te vejo, já te vi debutando, se formando, ganhando a vida e, em todos esses anos, basta eu te ver para ficar balançado. Eu acho que não sou só eu, é ele. Eles. Todos.  Sempre acompanhada de caras mais interessantes, inteligentes, que sabem dizer a política de esquerda e direita, que me dão inveja só por conseguirem te chamar mais atenção.
     Às vezes, você olha para o lado e me vê, isso já me faz bem. Então, quando você me reconhece, dá um beijo no rosto e vai embora, como se aquilo fosse algo normal para você. Eu fico aqui com seu cheiro cítrico nas minhas roupas e a marca do batom vermelho no meu rosto; um vermelho que você tenta limpar, mas não sai da sua memória. Você me conquista por palavras e pensamentos, por uma voz suave, pela forma que a luz do poste evidencia a sua beleza, pela lua cheia e os seus encontros de olhares, tímidos e sutis.
     Saiba que eu não escrevo para você, escrevo procurando você em alguém. Eu já desisti de você, mesmo que tudo seja sobre você e você sobre mim em uma cama, será só na minha imaginação. Eu sei que nunca vai acontecer. Depois de tantos encontros, depois de tantos sonhos, depois de vários olhares... Eu acho que nunca acharei alguém.