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| Foto: Melina Souza. |
Nós
estamos vivendo uma época em que tudo é para agora, não existe um tempo para
pensar, as decisões precisam ser tomadas já. O velho está ficando descartável
mais rápido. O novo pode se acabar em questão de minutos. Uma ideia já não se
sustenta mais; você precisa de mais e mais ideias, é a única forma de
sobreviver. O melhor celular, o melhor carro, as melhores roupas. Estar sempre
atualizado e conectado com o mundo, pois se você não tiver este ritmo a
sociedade te engole.
Somos
descartáveis e tratamos as pessoas da mesma forma. Não existe mais a luta para
querer aquilo, existem outras opções de sobrevivência. Nós preferimos almejar
um bom emprego do que construir uma família. Terminamos um relacionamento sem
ao menos lutar, pois somos seres desprendidos e conscientes dos milhares de
pessoas que também procuram um relacionamento temporário. As amizades são
passageiras, é algo de momento, não são as eternas que nossos avôs estavam
acostumados a ter.
Não somos contentes com o nosso trabalho e queremos sempre mais, parece que é uma necessidade estar em uma troca constante, experimentar a novidade. Talvez, isso não seja algo tão ruim, mas é que não damos valor para o que temos. Só enxergamos um futuro ideal e não vemos tudo que já conquistamos.
Não somos contentes com o nosso trabalho e queremos sempre mais, parece que é uma necessidade estar em uma troca constante, experimentar a novidade. Talvez, isso não seja algo tão ruim, mas é que não damos valor para o que temos. Só enxergamos um futuro ideal e não vemos tudo que já conquistamos.
Tudo
isso traz um desgaste e te torna um ser incompleto. Muitas pessoas também
sentem este vazio. Provavelmente, morrerão sendo apenas a metade. Pois não
aproveitaram, nem levaram da vida um aprendizado, apenas passaram por ela com
três palavras: atualizando, procurando e planejando. Mas o que, exatamente? Não
sabemos, mas queremos esta novidade.
Não
nos perguntamos como estamos, não nos percebemos. Passamos por um momento frio,
sem nos conhecermos, sem querer conhecer o próximo. A cada dia percebemos que
somos solitários, por isso a sensação de incompletude. Porém, nós não queremos
enxergar isso, achamos que é falta de novidade, de não ter conseguido aquilo
que sonhamos, mas a verdade é que somos solitários e descartáveis.
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