(A)mar


Esse nosso momento é íntimo, tão íntimo quanto a primeira vez de uma mulher, que tem medo de se entregar e um dia descobrir que não é amor. Fecho os meus olhos e caminho lentamente, sentindo meus pés aos poucos se entregarem a areia quente. Não preciso te ver, eu sei exatamente onde você fica. Sinto o seu som me seduzindo, o vento querendo me confundir e tudo isso me torna leve.
Meu mar, eu sei que suas águas são salgadas por tantas lágrimas que já foram derrubadas por aqui, mas hoje eu não vim chorar. Quero somente me entregar a você, observar o infinito, enquanto meus pés se afundam na areia sentindo você chegar fria, refrescando-os e trazendo uma calma que só você é capaz de ter.
As águas claras sempre me acompanharam, balançaram amores, confirmaram certezas e amenizaram conflitos internos. Aqui, sempre será a fuga de tudo que eu não quero enfrentar, o único momento que o tempo para e eu posso tomar as decisões certas. Possuo amor por você, meu querido mar.
Eu trocaria todas as felicidades que eu tive para ficar as quatro estações te admirando, analisando o seu comportamento em todos os climas. Criaria músicas, poesias e até faria um doutorado em cima de você.
E se algum dia eu não encontrar uma personificação de tudo isso em uma mulher, de olhos claros e pele dourada, eu estarei aqui com um sol às 11:42, esperando você me levar para conhecer o mundo por meio do seu silêncio; entregar-me a você a fim de descobrir um novo caminho após seu horizonte. Você sempre estará comigo, e eu, aqui, pronto para ti(e) (a)mar.