A mãe coruja


         Acordei na madrugada, olhei para o lado e vi minha mulher dormindo de barriga pra cima com as mãos no ventre, como se estivesse protegendo o nosso bebê. Isso fez eu perceber o quanto uma gravidez muda uma mulher, o quanto a torna especial. Antes, ela dormia toda desengonçada, roncava, batia em mim (desconfio que ela batia porque queria), se espalhava e quase me empurrava da cama. Agora, está ali como um pássaro-mãe protegendo o ninho e sentindo a nossa filha chutando de madrugada (a Clarice gosta de dormir só durante o dia, já vi que tô ferrado quando nascer).

         Nunca tinha percebido o quão divino uma mulher se torna quando está gerando uma criança. Parece que não aflora só as TPMS, indecisões e medos, como também as delicadezas, o olhar e o jeito, os sorrisos se tornam mais belos e os abraços vêm de uma forma diferente, são mais gostosos e intensos. Sem contar a beleza, que quadriplica.
         Não babo só pela minha filha, eu fico o dia inteiro babando nessa mulher que sempre me arrancou sorrisos, mas agora me arranca lágrimas de felicidades. Não tem como deixar de amar uma grávida, parece que o sentimento entra em um outro plano, no qual se passa a admirar essa imagem de uma forma muito louca. É como se você sempre olhasse uma menina querendo ser mulher e de repente percebesse que, na verdade, ela sempre foi uma mãe, mas você nunca enxergou isso. E não porque você não queria, mas porque é preciso ser especial para enxergar essa energia materna.

       Uma mãe sempre será uma grande mãe por natureza; agora eu, o pobre pai, terei que sempre me esforçar para mostrar que também sou capaz. Mas não tem problema, eu tenho uma mulher incrível do meu lado para me ajudar. Não ficarei tão desesperado quando a minha filha chorar e eu perder o controle, ela sempre terá uma mãe para acudi-la e adivinhar o que ela está precisando. A desvantagem da minha é que o instinto feminino da Gabi veio quebrado de fábrica. Coitada da Clarice... Vai ter que pedir ajudar pro paizinho babão dela.
         Oh, isso é brincadeira, hein, pois essa mulher tem um coração tão grande (detalhe que me fez a amar) capaz de abraçar o mundo. Com certeza saberá dizer as palavras certas para o nosso bebê quando estiver grandinha (com uns 40 anos), principalmente com esses poderes maternos. Acho que ela se tornou uma anciã (Você já percebeu que todo anime tem um(a) ancião/anciã? Do que eu tô falando?) e poderá muito bem abraçar a nossa filha e dar os melhores conselhos.
          E por tudo que uma mãe representa, espero de coração que a primeira palavra que a Clarice falar seja “mamãe”, pois no meio da madrugada não ficarei com nenhum peso na consciência em não acordar e parar o choro do meu bebê. Aí vai a mãezona metida que sempre sonhou com o dia que seria chamada pela nossa filha! (#soudesses, #papaiesperto, #essecarasoueu, #impeachmentparaclaricenascer) 

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