Diga que é só uma fase


         Eu estou me achando um completo incompetente, que nada possui na vida, apenas vazios e sonhos que nunca acontecerão. Eu só quero começar logo, quero meus passos no caminho certo, pelo menos uma vez. Não aguento me sentir assim, não mereço sofrer por isso. Nunca quis mal dela, dele, de você... de ninguém. Mereço as minhas conquistas, não só ficar em abandonos e sonhos que perdem a força todos os dias.
         O que está sendo reservado para mim? Apenas decepções e choros? Quero orgulhar e honrar meus amores, minha família e minhas inspirações, mas sendo esse nada é impossível. Não queria ser incompleto, imperfeito, incerto ou outros “ins” que a vida me deu. Quero ser meu pai, que eu admirei a minha infância inteira, o exemplo de perspicácia e persistência, mas que sempre conseguiu ter o que quer.

         Eu tento ser isso, mas não consigo. Agora, eu olho para trás e percebo que não possuo nada, apenas conhecimentos inúteis ou adolescentes demais para esse cara que cresceu extremamente rápido. O que vou ensinar? Qual história eu quero contar? A do fracasso? Não, não. Eu não quero isso, não quero que minha família me veja assim.
        Ando acordando nas segundas de um jeito introspectivo, tendo que frequentar uma rotina que eu odeio, aturando as pessoas falando seus blábláblás o dia inteiro. A verdade é que estou cansado dessas responsabilidades. Tenho vontade de pegar na mão da minha amada e fugir desse mundo louco. Viver na praia, acordando com o sol em meu rosto, sentir-me vivo e amado.


         Nesse momento é bom respirar, contar até 10 (não que funcione para acalmar, mas é o que posso fazer agora), respirar e escrever. Às vezes, é na simplicidade e no desabafo que encontramos alguma resposta, ou melhor, ajuda. Ajuda a fluir um pouco desse peso que estou dentro de mim.
         Está chovendo, isso dá menos vontade de sair da cama; não quero olhar através da minha janela e ver que existe um mundo lá fora. Que preciso encarar os problemas, o presente. Ultimamente, eu sinto falta do passado... Sei lá, até das culpas que ficaram para trás.
         Pesado, pesadelo, incerto, é a porra da vida, que gira, gira e para no mesmo lugar.
         Não quero só sonhar e não concretizar, morrer com um vazio. Um vazio de, ao menos, não ter tido a chance de tentar, de caminhar nesse lugar desconhecido que eu sonho. Não quero morrer assim. Não quero que elas me vejam assim, só... Não quero!

         Chuva, por favor, não lave só a minha janela suja, mas lave a minha alma também. Eu ficaria tão feliz. Quero voltar a sorrir sempre, a enxergar a poesia e parar de falar disso, desse papo filosófico barato e vagabundo que ando possuindo toda semana.