Vivemos (Des)conectados



     Tira a foto. Manda a foto.
     Primeiro, os melhores amigos no Whatsapp. Depois, Snapchat. Por último, os desconhecidos do seu Facebook. É assim que vivemos: pensando no melhor lugar para tirar foto, não observamos o mundo para entendê-lo, mas para capturarmos de algo que ninguém nunca percebeu. 
     Na minha opinião, nós estamos vivendo o auge do voyeurismo, em que gostamos de observar o outro e amamos sermos observados. Queremos a atenção, uma curtida, um seguidor. Isso nos faz bem. Preenche de uma forma rasa um vazio que antes não era preenchido.
      Eu posso falar pelo que observo ao meu redor que muitos não usam determinada roupa para se sentir bem ou porque a pessoa com quem você sairá é especial, mas para ficar bonito em alguma foto. Queremos lugares diferentes e exuberantes para os cliques que postaremos em nossa timeline e exibir aos outros o quão somos legais. Também somos descolados e acompanhamos as tendências! 
     Na verdade, viramos jornalistas com nossos celulares na mão; tudo que seja fora do cotidiano será filmado e colocado à opinião na internet. Não se socorre mais ninguém, filma-se. Não se ajuda uma criança que está brincando com o tigre e que logo perderá o braço, preferimos gravar para esperar o que vai acontecer. Não ajudamos, apenas queremos assistir. Queremos o limite, olhar e mostrar para quem não está ali o que virá em seguida. Assim, você acaba de compartilhar algo único, o qual te dará nome. Você será o que todos estarão olhando e comentando. Talvez, nós chegaremos ao ponto de ver alguém morrer e, no lugar de ligar pra polícia, vamos filmar aquela morte – suas últimas palavras. 
     Não aproveitamos nenhum momento para valer. Tudo isso faz com que fiquemos presos a aplicativos e redes sociais, a sempre pensar no futuro e nos outros. Nós estamos nos abandonando por nos preocuparmos mais com o jeito que as pessoas têm que nos ver. Necessitamos ser alguém que não somos; na internet sou isso, na vida real aquilo... 
     Para mim, nós estamos indo para um caminho errado, usando as redes sociais da forma mais superficial possível, e não estamos parando para pensar em como estamos sendo levados por toda essa tecnologia. Sinceramente, eu não sei o que será do nosso futuro com esses recursos sendo mal utilizados, muito menos com o tamanho da nossa exposição e com como isso está fazendo cada vez mais parte da nossa realidade. Creio que trará um grande prejuízo lá na frente...