É
um sentimento ruim, não chega a ser doloroso. Ele começa com um estranho
formigamento e com uma vontade de chorar, mas nada sai. Você esquece o lugar
onde você se encontra e nem sabe o que fazer, mas aos poucos as lembranças vêm,
junto com os sentimentos que você tinha pela pessoa. Isso é tão turbulento que
você nem sabe o que fazer com tanto sentimento, então simplesmente chora.
O
choro leva um pouco dos ressentimentos, das saudades e das tristezas, mas não é
o suficiente. A raiva começa a surgir e você se pergunta: “Por quê? Por que
levar alguém que não se despediu de você?”.
É
isso que dói: a pessoa ir embora sem dar um simples tchau, sem deixar um
bilhete na geladeira. Ela apenas vai.
Aos
poucos você se lembra de toda a trajetória que essa pessoa teve na sua vida, se
lembra do primeiro oi, dos abraços, de uma brincadeira boba que você fazia e...
Nunca
mais, nunca mais haverá isso. Quanta nostalgia em tão pouco tempo! A morte traz
todos os sentimentos que você possui. A raiva, alegria, tristeza, perca de fé,
ganho de fé, saudade, lágrimas – principalmente as lágrimas.
Lágrimas
descontroladas que tentam renovar a alma, mas que em nada renova, somente
piora. Então, finalmente chega a dor, uma dor que começa pelas pernas e vai se
espalhando até o coração e ali ela se instala. Uma dor que bate no fundo da
alma e que transborda por cada canto do seu ser, especialmente no coração.
Eu
só queria que essa dor saísse com essas palavras, que essas lágrimas que pingam
nessa camisa preta fossem secas e que um sorriso começasse a aparecer. Eu tenho
a esperança que aos poucos a dor se tornará uma bela saudade, mas enquanto isso
não acontece, o que eu posso fazer a não ser chorar?
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