É sexta!



     É sexta-feira! Mais especificamente, onze e trinta e um. Algum tempo atrás seria o horário que eu estaria me arrumando para sair ou, às vezes, já estaria alterado segurando um copo, de algum desconhecido, com uma mistura que nem fazia ideia do que era.
     Hoje, eu me arrumo, mas para ficar em casa. Depois de um dia exaustivo, no qual eu não parei por um segundo para pensar em mim ou nas coisas que me dão prazer, eu estou no meu quarto. Com olhos pesados, panturrilha dolorida e uma dor de cabeça terrível. Tudo isso não vem do sedentarismo, mas sim de responsabilidades e de uma vida adulta. Claro, existe o tempo para a diversão, mas não é tão constante como era antes.
     Eu preparo um chá de hibisco sem adicionar açúcar: é o meu favorito depois de ter experimentado vários chás. Procuro algum biscoito que não seja tão calórico e me dirijo ao quarto.
     Está um frio terrível para colaborar com o meu cansaço, então eu visto o meu pijama cor de pele, daqueles que a sua tia faz e que são quentes, coloco a calça por dentro da meia para não ter perigo de um ar gelado passar pela roupa e me olho no espelho. Já existem traços do tempo, algumas rugas, a barba grossa e o olhar de alguém que já sabe decidir por si só o que lhe faz bem. Eu tento distrair o pensamento filosófico com uma piada para mim mesmo e rio sozinho.
     Deito na minha cama e me enrolo no meu cobertor favorito, o qual me acompanha há algum tempo na minha jornada, pego o meu livro de capa antiga que comprei no sebo e começo a me deliciar na leitura, tomando meu chá na caneca que é só minha. Completamente diferente daquele menino que segurava um copo desconhecido de uma bebida esquisita. É... eu estou envelhecendo, ou, para terminar de uma forma poética, eu estou amadurecendo.