O bar, por si só, já possui um aspecto para você
encontrar alguém. Não precisa ser o amor da sua vida, porque cansa ficar atrás
só da pessoa para dividir um futuro, às vezes queremos alguém só para passar o
presente e que no outro dia vire um rápido passado.
Gosto de ir com amigos para rir, mas também de
ir sozinho para fazer a linha homem solitário à procura de algo, quase como um
bate papo da uol da vida real. É gostoso sair assim, em uma noite agradável,
você coloca a melhor roupa, preocupa-se em usar um perfume que te descreva e
também faz uma reza para o cabelo não sair rebelde depois de tomar um bom
banho. Na hora de fazer a barba, você fica decorando qual será o texto na hora
do papo da noite no qual você ficou decorando qual seria o papo da noite.
Chega no bar e escolhe o melhor canto, tem
gente que se preocupa em escolher um lugar que pegue o melhor lado. Como eu não
acredito em nada disso, gosto de sentar em um espaço que eu tenho visão de
tudo. Sou observador.
Peço um drink de verdade, mesmo eu sabendo que
ficarei bêbado com uma dose. Por isso, a minha melhor estratégia é sair dali
com alguém quando esse meu copo esvaziar. Ainda mais que a bebida demora para
chegar, poupo você de ler a minha angústia de esperar. Pois, sozinho, sem
bebida, não tem nada que eu possa fazer...
A não ser encontrar aquela loira de vestido
preto que acabou de me olhar. Puta que pariu, será que ela me olhou sem querer
ou foi intencional? Opa, olhou de novo! Que cara será que eu estou fazendo?
Merda, aquele pessoal que escolhe o melhor lado com certeza saberia a cara que
estaria fazendo.
Eu gosto desse jogo de olhar e as mil coisas
que passam na minha cabeça. Falo com ela? Não. Sim. Calma, espera o drink
acabar. Espere algum sinal do universo. Mas que sinal seria esse? O garçom
entregou minha bebida em 3 minutos. Esse é o sinal.
Somos opostos. Estou sozinho e ela está com
mais 4 amigas. Que olhar ela tem, ele não para de cruzar com o meu, já tivemos
até troca de sorrisos! Eu preciso, eu tenho. Eu a quero. Pronto, dane-se a
dose. Viro o copo e crio coragem. O texto já estava decorado, as amigas tinham
indo no banheiro.
Eu fui em direção a ela e me senti naquelas
propagandas em que não existem obstáculos e eu ando em slow motion. Mentira,
tinha um monte de gente para chegar nela. Foram vários pedidos de licença,
encoxadas não intencionais e pessoas mal educadas. Até que cheguei na loira.
Eu disse oi, ela retribuiu o meu oi... silêncio...
silêncio que incomoda. Silêncio constrangedor. Esqueci tudo que eu tinha
decorado. Começo a gaguejar, ela dá um leve sorriso para mim e diz com uma voz
super aguda: “Engraçado, ver alguém sozinho”. Eu retribuí com uma piada: “...”
Desculpa, eu estava nervoso e não lembro o que falei. Só sei que terminou assim:
“´Desculpa, eu não estou interessado em ficar com ninguém hoje, apenas rir com
as minhas amigas, mas você é muito divertido. Quer ficar conversando com a
gente?”
Tapa. A vida tinha acabado de me dar um tapa. Tentei ser educado e agradeci o convite, mas
disse que estava tarde para um homem sozinho ficar andando por aí. Paguei a
conta e voltei para minha casa, mais uma vez sozinho.
Eu queria estar dizendo que rolou algo com aquela
mulher, ou melhor, que achei a mulher da minha vida acidentalmente, mas não.
Levei um fora mesmo e me senti o idiota que vai sozinho no bar... É, tem noites
que você não encontra ninguém, nem o seu próprio rumo. Porra de carma!
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