A eterna criança


     Existirá sempre uma criança dentro de mim, a mesma que sorria e passava tardes olhando para o céu tentando achar uma forma de subir em uma nuvem e depois tentava se equilibrar de pé em cima de uma rede achando que alcançaria a mesma sensação. Esse menino não tem medo de arriscar, não nota os erros que comete e nem é capaz de julgar ninguém.
     Essa criança está aqui, tímido e com um sorriso contido. Ainda com seus momentos sozinhos em uma outra varanda, mas que hoje olha pro céu com mais entendimentos e problemas. Que odeia as responsabilidades que precisa ter, de ser a projeção de expectativas, de não ter chocolate depois do almoço e das promessas que sempre o assustou.
     Às vezes, eu tenho vontade de ser essa criança por inteiro e esquecer a chatice dos nós de gravatas, do cuidado com as palavras e de ser o que não sou. Ser um adulto sempre será algo que me cansará.
     Agora, eu apenas me conformo com o que sou e procuro no que aprendi com a vida e na escola uma forma de ficar em cima de uma nuvem, de ter meu doce depois do almoço e lidar com as projeções. Tudo de uma forma madura, é claro.
     E isso ainda é uma das minhas grandes felicidades e me orgulho de ser assim. Eu vejo que a criança ainda não morreu e que um dia, ela ainda achará um jeito de deitar em cima das nuvens e olhar as pessoas lá de cima, como se fossem formigas de paletó e gravata vivendo em um grande formigueiro.