Eu preciso te confessar uma coisa: eu
estou com medo. Não do escuro, de bichos ou da violência, mas do meu futuro e
do que eu sou. Eu cruzei esse túnel em uma grande escuridão na esperança de
achar a luz, mas no final encontrei uma grande parede.
Toda a minha preparação de vida,
estudo e conhecimento... Nada disso está sendo útil. Parece que minhas
experiências viraram descartáveis, e que se eu quiser continuar eu terei de
passar por uma renovação. Mas e se eu te confessar outra coisa? Estou cansado
de falar: mais uma vez, está quase... Geralmente, o “quase” nunca chega e eu
fico com uma esperança pobre dentro do meu peito. E se não der certo?
Fico em um total clichê: quarto
escuro, música triste e um choro, dos mais tristes que você possa imaginar.
Estou um pouco perdido. Não, eu estou perdido pra caralho e sei que ninguém é
capaz de me ajudar a não ser eu mesmo. É uma droga isso, pois muitos dos
problemas as pessoas conseguem te aconselhar ou, no mínimo, acalmar seu
coração, mas quando o assunto é o futuro, quem pode dizer alguma coisa? É
assunto desconhecido, misterioso e vive dentro do baú no sótão que papai nunca
te deixou entrar.
Queria me mover, respirar um novo
ar, dar uma chance para o completo desconhecido que eu admiro. Eu quero ser
aquilo que o espelho não vê. Preciso de novas oportunidades, escolhas e
momentos que eu realmente quero viver.
Eu sei que preciso sair daqui e que
terei de tentar, repetidas vezes, até eu alcançar o que eu quero, mas tenho
medo de ser mais um frustrado na vida que teve de desistir. E eu não quero isso
para mim, nunca vou querer!
É
uma droga não ter os pés no chão e sempre sonhar com grandes coisas, são muitos
sacrifícios e um caminho longo para concretizar as fantasias de criança, de
preencher um vazio e um desejo de mudar o mundo. Por isso escrevo esse texto,
para eu não desistir de tentar...
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