A mulher de preto já tinha passado
pelos namorados possessivos, por amores que nunca existiram e sonhos
impossíveis. Os traumas amorosos já estão entendidos, ela está preparada para
encarar um amor. Um novo amor, sabe? Daqueles reais, sem os truques e fantasias
de uma paixão. Um amor concreto, mas que seja poético o suficiente para fazê-la
levitar.
Ela não procura um príncipe com uma
beleza surreal, cavalo e dentes brancos. Apenas uma pessoa que compartilhe o
guarda-chuva em uma tempestade, que empreste o paletó depois de uma balada para
ela não ficar com frio. Não importa a cor, o rosto e o tamanho. Aquela mulher
sabe que o amor não possui olhos, o homem só precisa fazê-la suspirar: de amor
e, é claro, de tesão.
Procura-se um amor para compartilhar
e não para doar. Ela aprendeu que não se entrega nada para amar, você
compartilha um mundo totalmente diferente. Um lugar que só cabe dois... por
enquanto. Isso porque ela quer seus filhos um dia brincando no jardim desse
lugar que não possui mapa. Um menino e uma menina, que puxem seus olhos
grandes. E uma hora, quando perceberem, esse mundo se transformará em família.
Chega de grandes loucuras, ela quer
um amor sussurrado para não espantar tudo que há de bom em volta dela. Quer as
sutilezas, os detalhes e o contorno que existe nesse sentimento. Não precisa
ser poeta ou alguém com respostas prontas, ela quer alguém que seja sincero
quando falar, simplesmente isso.
Haverá outras ilusões pela frente,
mas nenhuma delas fará com que essa mulher chore. Ela prometeu a si mesma que
nenhum vagabundo merece a sua dor e é isso que a torna preparada para um amor
de verdade. Talvez, demorará anos para achar esse cara, mas ela não se importa
de esperar décadas ou vidas para encontrá-lo, pois sabe que por amor tudo vale
a pena. Ela já não é mais uma garota,
ela é uma grande mulher com os próprios desejos dela. E o que ela deseja? Que a
vida a surpreenda pelo menos uma vez.
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