Gosto
de pensar em outros corpos, toques e pensamentos que desejo. Sou atraído pela
poesia e a levo sempre comigo, admirando o que é agradável, procurando beleza
em lugares que ninguém vê. Crio situações que não poderei mais viver, até o
ponto que consigo saciar essas vontades e sossegar com a vida que foi me dada.
Crio
um mundo e reinvento histórias que vivem passando na minha cabeça, mas sempre
tentando achar finais alternativos, sabe? Pode ser aquelas bobas, igual a um
conto de fadas da Disney, que terminam felizes para sempre, ou aquelas
tragédias gregas. Possuo pensamentos doentes, mas que já passou na cabeça de
todos.
Antes
de dormir, eu tento relembrar memórias que para mim são marcantes (mesmo as
ruins). Gosto de fazer tudo isso, porque eu tenho medo de um dia esquecê-las.
Sei lá, eu tenho medo de perder tudo aquilo que foi bom ou de um dia perder a
minha essência e virar um corpo sem alma que vaga pelo mundo dos
despreocupados.
E
se eu vivo um momento que irá valer a pena, eu tento memorizar o máximo de
coisas que eu conseguir. Qual era a temperatura do momento, como eu estava
vestido, se havia pouca ou muita luz, como era o local, a música que tocava...
Tudo, absolutamente tudo que eu puder absorver! Agora, o que é indesejável eu
simplesmente ignoro, e isso acontece na maior parte do meu tempo. É tudo tão
desnecessário que sobram poucas informações para criar lembranças.
Se
depender de mim, gosto de fugir dos maiores clichês. Na verdade, eu sou a porra
do clichê, mas nas minhas lembranças transformo tudo como único, sendo algo que
ninguém nunca sentiu. Essa é a minha mente, uma ferramenta de inconstância do
ser que vive para relembrar tudo que já viveu ou que nunca viverá.
.jpg)