Isso foi o que minha tia perguntou. Na
hora eu tive vontade de responder: Não sei. Eu não penso nisso agora, quero
outras prioridades e responsabilidades. Eu já tentei, juro que tentei, mas
todos os homens que eu tive, só me geraram decepções.
Então sabe o que eu decidi? É que eu não vou procurar mais. Não porque cansei, mas por não querer forçar uma situação. O amor precisa vir de uma forma natural, pois se ficar nessa obsessão sabe o que acontece? Você projeta em algum homem, um qualquer, tudo aquilo que desejou e, com o tempo, a ilusão vai passar e você perceberá que esse cara é um completo desconhecido, daí vai criar aversão por ele e pedirá o fim do relacionamento. Ou seja, você mesma se feriu quando forçou o amor e talvez nunca perceberá isso, acreditando que a culpa é do coitado.
Realmente, eu não quero isso para a minha
vida, por isso eu vivo. Ou melhor, eu me vivo, me entendo, procuro saber mais
de quem eu sou, o que eu amo e odeio, o que me falta e o que possuo, se é o
suficiente para viver. Desse jeito, eu poderei saber o que preciso procurar
fora de mim e dar um sim quando minha mão for pedida em casamento. Mas no
momento eu dou sim para novas experiências, as viagens mundo afora, as que
acontecem dentro de mim, a gerar gentilezas, para as minhas amizades, que
inclui as minhas amigas loucas, aos filmes e às crises existenciais que sempre
convertem em bons conhecimentos.
Não quero que sintam dó de mim, eu
estou bem assim (mentira, eu estou ótima). Sem DRs, sem ciúmes ou papo de
príncipe encantado, eu estou vivendo o mais real que posso. E isso me faz tão
bem, sabe? Ter a certeza que não preciso de alguém para me fazer feliz, sonhar
ou traçar metas, nem para me amar. Posso muito bem dar conta do recado.
Vejo aquela minha amiga chorando toda
semana por conta do mesmo cara e não querendo enxergar a realidade, sempre
achando que alguma coisa vai melhorar. Tenho vontade de dizer para ela que não
muda: se já começou o namoro da pior forma possível não tem como ele se
transformar. Minha querida amiga, ficar por dó é pior do que ser rejeitada,
mude essa rotina, mude essa vida!
Eu vivo mudando, ora estudando e
trabalhando, ora dando meus passos sem olhar os meus pés marcados na areia.
Algumas vezes bebo com minhas amigas e acabo fazendo besteiras, coisas rápidas,
não chego a ser pior do que aquelas que cometem o erro de cair no papo de que
existe o homem ideal e ele irá bater na porta da casa dela. Na maior parte do tempo, vivo para mim mesmo,
lúcida, focada em tudo que quero um dia, caminhando pela rua sem procurar
aprovações ou o “galã das 9”. Caminho sabendo do que sou capaz e que ninguém
vai se esbarrar em mim, derrubar meus livros e quando nossos olhares se
encontrarem, vamos nos apaixonar. Credo, piegas e clichê! Se for para eu amar
um dia, eu quero que seja algo que fuja das histórias bobas, para que eu possa
no mínimo acreditar no que está acontecendo comigo.
E assim a minha vida segue, sem monotonia
ou obrigações. Vivo na plenitude da felicidade, procurando mais desencontros do
que encontros, sem correr atrás de uma fórmula do amor, sem programar sorrisos
ou calcular sentimentos. Procuro a mim, antes de procurar alguém.
Era tudo isso que eu queria falar para a
minha tia, que projeta sobre minha juventude os desejos dela. Mas na verdade eu
só sorri e disse: “Ai tia, tá difícil achar alguém que preste”. Rimos e falamos
daquele cara bonitinho da novela das 8 ou das 9, sei lá, eu nunca entendi o
horário dessas novelas e nem essas perguntas idiotas que a minha família me
faz.
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