Era bom só te imaginar, nos imaginarmos juntos. Antes de dormir, eu
criava você por inteiro na minha cabeça, construía a nossa história, com
brigas, a carinha dos nossos filhos, as trocas de palavras em cada despedida e
os seus defeitos que eu teria que lidar.
Eu pensava em todos os detalhes. Era tudo tão bom no campo distante.
Havia química, música boa e um colo quente. Mas, na realidade, você, fruto da
minha imaginação, é um ser automático, tendo sempre o mesmo gosto de beijo,
seguido de um olhar “pobre”. São toques duvidosos, falas mentirosas e um corpo
frio que não se encaixa com o meu. Nos meus sonhos, você era bom para mim,
tinha sorriso doce e me compreendia.
Eu era para ser preenchida por você, agora sou tão vazia, que prefiro
seguir a vida sem pensar muito, pois se eu me tornar pensativa demais apenas me
frustrarei. Eu acho que você não tem noção do quanto me entreguei nesse
relacionamento. Lutei tanto para ter um pouco de você dentro de mim que não
percebi que o que você sempre me deu foram migalhas, e nunca serei sustentada com
isso. Eu quero é banquete, me lambuzar do nosso amor.
Cadê as flores que eu imaginava que você me traria no aniversário de um
ano de namoro? O elogio em cima de algo que nenhum homem percebeu? O jantar surpresa
sob o olhar de estrelas e lua cheia? Cadê as loucuras? As sutilezas? Nem a
maneira que você me tira a roupa era o que eu imaginava. O dia em que passamos
a tarde inteira no parque, nos beijando e nos acariciando, nunca aconteceu. Somente
na minha cabeça iludida.
Criei uma imagem em cima de você que nunca existiu; você nunca foi, é ou
será nada disso que eu imaginava. É apenas um ser preenchido de expectativas, um
erro fatal que eu cometi. Um erro chamado “você”. Um garoto que nunca saberá o
valor de um amor. Se eu tivesse enxergado tudo isso antes, eu poderia ter
poupado tempo e o meu coração. Talvez agora seja um pouco tarde, pois não sei
dar fim a esse relacionamento que se tornou um câncer para mim. Mas também sei
você não é o futuro que eu desejo, apenas um de muitos que ainda aparecerão na
minha vida.

