E a minha filha nasceu!


Clarice quando nasceu. Dia 22/06/15 20:31
     O tempo passava devagar, eu suava e meu coração estava aceleradíssimo. Confesso que eu estava muito nervoso. Em poucas horas minha vida mudaria... Para sempre. Logo, logo eu conheceria Clarice, a menina que eu já amava sem nunca ter olhado para ela ou conversado de verdade antes. 
          Eu já estava pronto para ir ao centro cirúrgico, mas antes eu tive que trocar de roupa e ficar em uma sala de espera, maldita salinha. O que eu menos queria era esperar algo, por que a vida nunca deixa que controlemos o tempo dos nossos desejos?


Clarice no berço aquecido

       Eu tremia tanto que mal consegui amarrar minha máscara, tive que pedir ajuda para a enfermeira. Ali, o tempo realmente parou e 15 minutos se transformaram em uma hora e dois minutos de ansiedade. Os pensamentos na minha cabeça? De vários tipos: como ela poderia ser, que tipo de pai eu seria e por que eu, um garoto de 22 anos, foi escolhido para essa dádiva.
         -Thiago? Está tudo pronto, pode vir.
       Era minha hora (minto, a hora dela). Corri para o local da cesárea e logo vi Gabrieli deitada, meio dopada por conta da anestesia. Dei um beijo na testa dela e disse: “Vai dar tudo certo, você será a melhor mãe do mundo”; ela me respondeu com um olhar de medo. Naquele momento era uma das coisas que eu poderia fazer, a outra era pedir para todas as forças que existem no universo para que tudo ocorresse bem. No meio das preces, fui interrompido por um mascarado (também conhecido como médico) falando: “Pode se levantar que é agora”.
       Eu me levantei e pude olhar para a minha vida, só que sem espelho e com um choro baixinho. Era o meu bebê, era Clarice, a menina de nome doce, o sonho dos 13 anos se realizando, a beleza e a poesia estavam todas dentro daquele serzinho cheio de cabelo preto. Não me contive e comecei a chorar, um choro diferente de todos, não era tristeza ou alegria, era choro de amor que ecoava junto com o de uma nova mãe e de um bebê reconhecendo seu novo mundo.


Clarice com duas semanas
       Não sei te explicar o que senti na hora, nem rebuscar palavras, apenas sei que a mesma sensação está em mim enquanto escrevo. É um amor que eu, escritor de alma, sou incapaz de descrever.  Tê-la em meus braços foi a melhor coisa que houve na minha vida e ali, naquele momento, percebi que nada mais importava. As ambições, desejos materiais e os outros, tudo isso era bobo perto do que eu tinha nas mãos. Eu estava segurando o amor puro que é capaz de acabar com vazios e inquietudes. Estava segurando o mundo. Estava segurando Clarice, a minha filha.

Ps: Desculpa a minha demora, mas digamos que esse serzinho fofo me deixou cansado nesse mês, mas agora já voltamos a programação normal!