O tempo passava devagar, eu suava e meu
coração estava aceleradíssimo. Confesso que eu estava muito nervoso. Em poucas
horas minha vida mudaria... Para sempre. Logo, logo eu conheceria Clarice, a
menina que eu já amava sem nunca ter olhado para ela ou conversado de verdade
antes.
Eu já estava pronto para ir ao centro
cirúrgico, mas antes eu tive que trocar de roupa e ficar em uma sala de espera,
maldita salinha. O que eu menos queria era esperar algo, por que a vida nunca
deixa que controlemos o tempo dos nossos desejos?
Eu tremia tanto que mal consegui amarrar
minha máscara, tive que pedir ajuda para a enfermeira. Ali, o tempo realmente
parou e 15 minutos se transformaram em uma hora e dois minutos de ansiedade. Os
pensamentos na minha cabeça? De vários tipos: como ela poderia ser, que tipo de
pai eu seria e por que eu, um garoto de 22 anos, foi escolhido para essa dádiva.
-Thiago? Está tudo pronto, pode vir.
Era minha hora (minto, a hora dela). Corri
para o local da cesárea e logo vi Gabrieli deitada, meio dopada por conta da
anestesia. Dei um beijo na testa dela e disse: “Vai dar tudo certo, você será a
melhor mãe do mundo”; ela me respondeu com um olhar de medo. Naquele momento
era uma das coisas que eu poderia fazer, a outra era pedir para todas as forças
que existem no universo para que tudo ocorresse bem. No meio das preces, fui
interrompido por um mascarado (também conhecido como médico) falando: “Pode se
levantar que é agora”.
Eu me levantei e pude olhar para a minha
vida, só que sem espelho e com um choro baixinho. Era o meu bebê, era Clarice,
a menina de nome doce, o sonho dos 13 anos se realizando, a beleza e a poesia
estavam todas dentro daquele serzinho cheio de cabelo preto. Não me contive e
comecei a chorar, um choro diferente de todos, não era tristeza ou alegria, era
choro de amor que ecoava junto com o de uma nova mãe e de um bebê reconhecendo
seu novo mundo.
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| Clarice com duas semanas |
Não sei te explicar o que senti na hora, nem
rebuscar palavras, apenas sei que a mesma sensação está em mim enquanto
escrevo. É um amor que eu, escritor de alma, sou incapaz de descrever. Tê-la em meus braços foi a melhor coisa que
houve na minha vida e ali, naquele momento, percebi que nada mais importava. As
ambições, desejos materiais e os outros, tudo isso era bobo perto do que eu
tinha nas mãos. Eu estava segurando o amor puro que é capaz de acabar com vazios
e inquietudes. Estava segurando o mundo. Estava segurando Clarice, a minha
filha.
Ps: Desculpa a minha demora, mas digamos que esse serzinho fofo me deixou cansado nesse mês, mas agora já voltamos a programação normal!
Ps: Desculpa a minha demora, mas digamos que esse serzinho fofo me deixou cansado nesse mês, mas agora já voltamos a programação normal!
