Primeiro você me deu um beijo no rosto, depois disse
algumas palavras e então se virou deixando seus cabelos por último para se
despedirem de mim. E a cada passo você se distanciava mais de mim, se confundia
com o horizonte e eu com sorriso meio bobo, espremendo lágrimas cheguei a um
veredito: meu coração tem hipermetropia.
A sua importância só é vista por mim quando você está
longe de mim. É como se acordasse e esquecesse da rotina. De não haver ninguém
para pegar a minha toalha que esqueci no varal, de ter uma boa piada e não ter
você para me achar um bobo, de fazer café para uma xícara... Isso é um puta
desperdício! A saudade nesse momento desperdiça o meu tempo. Poderia estar
bebendo, saindo com meus amigos ou indo ao parque, mas prefiro trocar tudo isso
para dedicar o tempo que tenho a fim de pensar em você.
Medo? Talvez seja a hipótese de que seu esquecimento
seja maior que a saudade de me rever, e aí ficarei que nem um idiota no
aeroporto, com uma mão segurando as rosas murchas e a outra o meu coração.
Desculpa, mas eu preciso de você agora. Nada de
amanhã, semana que vem ou “vamos ver um dia aí”. Ando perdido sem você aqui, e
isso é chato pra caramba. Não sei o que fazer, como retomar a nossa rotina monótona
ou quando essa saudade vai passar. Tudo parece confuso demais agora, embaçado e
diferente. Talvez eu precise ir ao oftalmologista, talvez eu precise de um
cardiologista. Mas talvez eu só precise de você. Será que é tão difícil assim
de entender?
