Chuva. Clima perfeito para namorar. Mas esta chuva não possuía o tempo certo do romantismo. Era mais violenta, combinando com o fim de toda uma história. O vento não balançava o cabelo da menina como é visto nos comerciais, a sua franja era constantemente jogada para frente, sendo difícil fazer uma análise da sua alma.
O garoto não possuía olhos claros e nem uma roupa ideal para aquele momento se tornar um filme. Tudo se desiquilibrava. A única parte em destaque era uma luz delicada, cor âmbar, a qual dava todo o clima para aquela discussão.
Para você ter uma ideia, até as palavras não eram
precisas, o que vinha não tinha sentido, a função do falar era apenas de
esvaziar um ódio que estava instaurado nos dois.
Todos sabiam que era o fim: a vizinha mal humorada que
ficava espionando entre as cortinas, o vira-lata preto abandonado que procurava
um lugar para fugir da chuva e daquela discussão chata e a lua que queria ter a
atenção toda pra ela, chateou-se e preferiu ficar entre as nuvens.
Um momento a discussão virou monótona, o menino que não
era cinematográfico, em um ato nada romântico, entrou no seu carro, disse um
palavrão bem alto e saiu com seu veículo velho cantando pneu, que inclusive
estava careca.
A lua espiou timidamente o que havia acabado de acontecer,
o vira-lata ficou no meio da água esperando uma reação daquela garota e a
vizinha chamou o seu marido para acompanhar o ápice daquela história.
A menina já estava toda encharcada por suas lágrimas de
chuva e as memórias boas daquela história começaram a se misturar com a terra
encharcada, transformando tudo em barro. Era o fim.
Ela respirou profundamente
e, de cabeça baixa, procurou um lugar para fugir da tempestade daquela noite – e
da que estava nascendo na sua vida.
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