Eu me lembro de poucas coisas sobre aqueles dias. Eu me recordo
da lua cheia em uma sexta-feira 13 e os seus olhos brilhando antes de dormimos,
do passeio em uma praia deserta e você dizendo “Que linda a composição do que
estou vendo: o céu, o mar e você.”
Não consigo lembrar quem ganhou o jogo de domingo ou o que
comemos na semana, mas lembro de você lendo um livro de amor na frente do mar e
da sua pele delicadamente se arrepiando com o vento se entregando ao seu corpo
e do pôr do sol contornando as suas curvas, enquanto você ia em direção ao mar.
Lembro-me das risadas gostosas, dos meus tombos no
frescobol, das suas caretas quando o sol tentava ofuscar a sua beleza, de Chico
Buarque trilhar os dias, das palavras de amor em quatro paredes, do incenso
invadindo todo o nosso quarto e do cheiro de proteção abraçando os nossos
corpos.
Você sempre terá o dom de transformar detalhes em grandes
memórias. O gosto do seu beijo, os olhares sérios e a briga para saber quem ia
lavar a louça. A nossa vida se entrelaçando para um futuro rabiscado em capas
de livros de amor e os olhares mais fortes do que as palavras que definem um
sentimento inexplicável. Tudo. Tudo isso está guardado no meu coração.
São lembranças bobas repletas de detalhes de um
quebra-cabeça sem graça, mas para quem ama cada coisinha vira uma razão para
ter mais aquela pessoa por perto, para que meu coração tenha dentro de sua sala
escura histórias incríveis de dias monótonos, de memórias de uma alma que
sempre me pertenceu, mas que eu ainda não tinha descoberto. É disso que me
lembro do que você representa na minha vida e, é claro, daquela semana...
